18 de janeiro de 2012

Entrevista - Auxílio a moradores do Anchieta

Confiram a matéria publicada na edição nº 20 do Jornal Mata Atlântica de Itanhaém. Leiam na íntegra abaixo!


Rotatória do Anchieta sufoca o bairro –
Dr. Endrigo auxilia nas reivindicações

O advogado Endrigo Leone Santos é procurado pelos moradores e comerciantes do Anchieta para ajudar em suas reivindicações. Eles sofrem com as consequências de uma obra de trânsito mal planejada e perigosa
Por Maricy Ferrazzo

Poluição sonora, tremor no solo, confusão e perigo no fluxo dos automóveis. É esse o cenário atual que moradores e comerciantes enfrentam no bairro Cidade Anchieta, onde há quatro meses a instalação de uma rotatória alterou o curso do trânsito, dando ensejo a maior tráfego de ônibus, caminhões e outros veículos pesados.

Localizada na confluência das ruas Cidade de Iguape, Oscar Simões de Carvalho e João Mariano Ferreira, a rotatória ficou mal posicionada, fazendo com que os veículos tenham que passar muito próximos das residências e outras construções ao redor. A moradora Ana Maria Lopes da Silva, cuja casa se localiza no ângulo mais crítico da rotatória, conta que sua calçada foi diminuída e o rebaixamento de passagem para sua garagem retirado. “Para mim foi uma invasão de privacidade, um desrespeito a minha moradia, que acaba sendo desvalorizada”, comentou enquanto um caminhão, a menos de 20 centímetros de seu muro, manobrava para conseguir completar a rotatória.

Ainda, para que essa alteração da via de trânsito fosse realizada, a Prefeitura de Itanhaém recuou as outras calçadas e as transformou em locais de faixa amarela, impedindo o estacionamento de veículos. Ocorre que boa parte do comércio do bairro se encontra exatamente no local, e foi prejudicado pela medida que dificultou o embarque e desembarque de mercadorias. O comerciante Clarindo, cujo estabelecimento se encontra numa das ruas alteradas, conta que das 32 vagas anteriormente disponíveis na localidade, somente dez permaneceram para os 21 comerciantes. “O comércio foi afetado diretamente. Posso dizer que isso já ocasionou uma diminuição de cerca de 15% na movimentação do meu comércio. Fora a reclamação dos clientes, que não encontram mais lugar para estacionar e os acidentes que passaram a ocorrer.”

Clarindo ainda menciona que na hora da chegada de mercadorias os caminhões têm que parar a vários metros de sua porta, e a entrega é feita unidade por unidade, levada em carrinhos de mão ou até mesmo nas costas dos entregadores: “O caminhão estaciona 70 metros pra lá porque onde era nosso estacionamento agora é faixa amarela”.

A falta de planejamento adequado na instalação da rotatória no bairro é visível nas partes quebradas das calçadas, onde alguns veículos chegam a subir por não haver espaço suficiente para a passagem, o que torna a travessia perigosa para os pedestres.

A moradora Ana Maria igualmente se mostra preocupada com os riscos para ela e sua família, considerando que qualquer deslize de um motorista colocaria seu portão na mira da colisão. Ela ainda reclama do barulho e da ameaça à estrutura de sua residência em médio prazo devido ao constante tremor do solo quando da passagem de veículos pesados. “Eu tenho muita preocupação que com o tempo isso abale a construção da minha casa, porque esse asfalto não é tão grosso a ponto de conseguir evitar esse abalo, sendo que até o meu armário de cozinha já cedeu”, conta.

Os moradores e comerciantes do bairro Cidade Anchieta se organizaram em setembro desse ano e, juntamente a um abaixo-assinado, protocolaram sua reivindicação pela retirada da rotatória e das faixas amarelas junto à Secretaria de Trânsito do Município; contudo, até o momento, nenhuma melhoria eficaz foi feita, tendo sido tomadas apenas medidas paliativas, como a substituição de uma divisória de concreto por uma fileira de “olho de gato” no pavimento.

Sabendo da atuação do advogado Endrigo Leone Santos no caso da denúncia contra a instalação de esgoto nas praias da cidade, os moradores do bairro o procuraram para pedir aconselhamento no tratamento da questão. Desde então, reuniões estão sendo realizadas com o intuito de requerer mudanças para atender as necessidades do bairro, porém essa causa comunitária tem encontrado obstáculos na Administração Municipal. “Essa situação é um absurdo, um desrespeito aos moradores do Anchieta. Além de não ter seguido as exigências básicas dos padrões de engenharia de trânsito, essa rotatória alterou a harmonia do bairro e colocou em perigo seus moradores e seu comércio. Não houve melhoria para a coletividade, logo, não é uma estrutura que deva permanecer”, afirma o advogado.

Segundo Endrigo Leone Santos, os moradores irão aguardar por um curto período alguma manifestação da Prefeitura de Itanhaém, e não havendo tomada de providências recorrerão ao Legislativo e ao Ministério Público Estadual. “Toda obra deve vir de encontro ao interesse do povo, os princípios fundamentais da Administração Pública, encontrados no artigo 37 da nossa Constituição Federal, pregam o princípio da supremacia do interesse público, ou seja, se não é para o bem da população, então não é aceitável”, explica Endrigo.

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